Ferrari Luce: O 1° carro elétrico da Ferrari é vendido por impressionantes US$ 40 milhões em leilão nos EUA

A entrada da Ferrari no mercado de carros totalmente elétricos ganhou um capítulo inesperado antes mesmo de as primeiras unidades chegarem aos clientes. O primeiro exemplar de produção do Luce, identificado como “Chassis 0”, foi vendido por US$ 40 milhões durante um leilão realizado em Monterey, nos Estados Unidos.

Organizado pela RM Sotheby’s no dia 15 de agosto, o evento transformou o automóvel em uma das peças mais valiosas já comercializadas em um leilão público. O montante ficou muito acima da estimativa inicial de US$ 1,1 milhão e também superou o valor alcançado por outros modelos especiais recentes da Ferrari.

Além da importância histórica do veículo, a venda teve caráter beneficente. Todo o valor arrecadado será destinado à Ferrari Foundation, organização ligada ao financiamento de programas educacionais.

Primeiro Ferrari elétrico ganha valor histórico antes das entregas

O Luce vendido em Monterey não corresponde a uma unidade comum disponível para os compradores. O veículo é o primeiro exemplar de produção associado ao programa e recebeu uma configuração exclusiva desenvolvida pela divisão Tailor Made, responsável pelas personalizações especiais da fabricante italiana.

O automóvel foi colocado no leilão sem preço mínimo. Outro fator importante para o resultado foi a decisão da RM Sotheby’s de não cobrar comissão do comprador. Dessa forma, os US$ 40 milhões do arremate representam integralmente o valor destinado à causa beneficente.

A importância do carro está diretamente relacionada ao momento que ele representa. O Luce marca a entrada da Ferrari em uma nova fase tecnológica, na qual a fabricante passa a oferecer um automóvel movido exclusivamente por baterias.

Uma configuração criada para ser única

Visão anterior do Ferrari Luce – (Divulgação: Ferrari)

A Ferrari preparou uma especificação diferenciada para o Chassis 0. A carroceria utiliza a pintura Madreperla Semi Gloss, um acabamento que pode apresentar tonalidades diferentes dependendo da iluminação, incluindo reflexos esverdeados ou violetas.

No habitáculo, o acabamento combina couro metálico Le Mans na tonalidade Perla com elementos em Grigio Corvara. O conjunto foi complementado por componentes desenvolvidos especificamente para esse exemplar.

Entre os detalhes exclusivos estão:

  • Rodas personalizadas;
  • Pinças de freio com acabamento específico;
  • Elementos visuais exclusivos;
  • Um cavalo empinado aplicado em acabamento óptico branco;
  • Personalização realizada pela divisão Tailor Made.

Apesar de já ter sido vendido, o automóvel não será entregue imediatamente ao novo proprietário.

Entrega do Ferrari Luce está prevista para 2027

Depois do leilão, o Chassis 0 ainda retornará a Maranello, na Itália, onde a Ferrari concluirá o processo de montagem do veículo.

A previsão apresentada é que a entrega aconteça no primeiro trimestre de 2027. Isso significa que o comprador desembolsou US$ 40 milhões por um automóvel que ainda passará pelas etapas finais de produção.

O resultado fica ainda mais impressionante quando comparado ao preço estabelecido para o Luce convencional. O modelo tem preço informado de aproximadamente € 550 mil, equivalente a cerca de US$ 640 mil.

Na prática, o exemplar vendido em Monterey alcançou um valor aproximadamente 62 vezes superior ao preço indicado para uma unidade convencional.

É importante destacar, porém, que a comparação não representa simplesmente uma diferença entre dois preços do mesmo automóvel. O Chassis 0 possui características únicas, representa o início da produção do primeiro Ferrari totalmente elétrico e foi comercializado em um evento beneficente.

Ferrari estabelece novo marco entre seus modelos especiais

A venda de US$ 40 milhões também amplia o histórico recente de grandes arremates envolvendo veículos exclusivos da Ferrari.

Em agosto de 2025, durante a programação de Monterey, uma Ferrari Daytona SP3 única havia sido vendida por US$ 26 milhões. O automóvel foi produzido além das 599 unidades inicialmente previstas e, naquele momento, tornou-se o carro novo mais caro vendido em um leilão.

Um ano depois, o Luce Chassis 0 elevou novamente essa referência dentro da própria Ferrari.

Outro exemplo ocorreu em 2017, quando uma LaFerrari Aperta única foi leiloada por US$ 10 milhões em Maranello. Na ocasião, os recursos também tiveram finalidade beneficente, sendo direcionados para ações de auxílio após terremotos.

O Luce ficou abaixo de um recorde histórico

Apesar dos US$ 40 milhões, o primeiro Ferrari elétrico ainda não ocupa o topo absoluto dos maiores valores obtidos pela marca em leilões públicos.

Em 2018, uma Ferrari 250 GTO de 1962 foi vendida pela RM Sotheby’s por US$ 48,4 milhões. O valor permanece entre os maiores já registrados em um leilão de automóveis.

A diferença entre os dois resultados é de US$ 8,4 milhões.

Ainda assim, o desempenho do Luce chama atenção porque se trata de um automóvel contemporâneo e elétrico, enquanto muitos dos grandes recordes da Ferrari estão ligados a modelos históricos extremamente raros.

O valor também ficou muito acima dos preços citados para alguns dos mais caros carros elétricos de produção, como o Rimac Nevera e o Pininfarina Battista, modelos que aparecem na faixa de US$ 2,2 milhões a US$ 2,5 milhões.

Luce enfrentou críticas, mas encontrou compradores

O resultado do leilão acontece após uma estreia controversa para o primeiro Ferrari elétrico.

Durante a apresentação realizada em Roma, em maio, o Luce recebeu críticas significativas. A reação negativa também teve reflexos sobre a Ferrari, cujas ações caíram após o lançamento. O ex-presidente da empresa Luca di Montezemolo chegou a questionar a associação do símbolo da marca ao novo modelo.

Cerca de um mês depois, a fabricante também substituiu seu responsável pelo marketing.

Apesar da recepção pública desfavorável, o comportamento dos compradores foi bastante diferente.

A Ferrari conseguiu comercializar integralmente a alocação prevista para 2026, formada por pouco menos de 500 unidades, em menos de dois meses. As vendas aconteceram antes mesmo de o modelo chegar aos primeiros clientes.

Esse contraste mostra que a repercussão negativa não necessariamente refletiu o nível de interesse comercial pelo veículo.

O que os US$ 40 milhões podem representar para a Ferrari?

O leilão tem uma característica que precisa ser considerada: trata-se de uma venda com finalidade beneficente. Portanto, o valor não pode ser interpretado simplesmente como uma avaliação de mercado do Luce.

Ainda assim, o resultado possui forte peso simbólico.

O Chassis 0 reúne três elementos relevantes: é um exemplar extremamente exclusivo, representa o primeiro Ferrari totalmente elétrico e foi vendido antes da chegada das primeiras unidades aos consumidores.

Por isso, o carro passou a ser discutido também sob a perspectiva do colecionismo.

Uma possível peça histórica para colecionadores

Visão lateral do Ferrari Luce – (Divulgação: Ferrari)

Parte dos comentários após o leilão interpretou a compra como uma aposta no significado que o modelo poderá adquirir no futuro.

A lógica é semelhante à de outros veículos que se tornam importantes por representar uma mudança de época. O Luce pode ser lembrado como o automóvel que marcou a passagem da Ferrari para uma nova etapa de propulsão.

Também surgiu a possibilidade de que o primeiro e o último Ferrari de determinadas eras possam ganhar importância especial entre colecionadores, justamente por simbolizarem os limites de uma fase da história da fabricante.

Entretanto, essas interpretações não significam que o veículo necessariamente terá valorização financeira no futuro. São perspectivas levantadas em discussões após o leilão, e não garantias sobre o comportamento do mercado.

Baterias também entram na discussão sobre o futuro do carro

Outro ponto levantado pelos interessados em colecionismo envolve a conservação de um veículo elétrico durante várias décadas.

A degradação das baterias foi apontada como uma possível dificuldade para preservar um automóvel elétrico como peça histórica. Diferentemente de componentes tradicionais que podem ser restaurados ou substituídos, a bateria representa um elemento fundamental da arquitetura de um carro elétrico.

Nas discussões sobre o Luce, surgiu inclusive a possibilidade de que um eventual exemplar clássico elétrico do futuro não utilize sua bateria original.

Por enquanto, essas questões permanecem no campo das hipóteses. O que já está definido é que o Chassis 0 ocupa uma posição singular na história da Ferrari.

Um novo capítulo na história da marca italiana

O leilão de Monterey colocou o Ferrari Luce no centro das atenções antes mesmo de sua chegada efetiva às estradas. Os US$ 40 milhões representam um resultado extraordinário para um automóvel contemporâneo, mas o contexto da venda é tão importante quanto o valor.

O dinheiro será direcionado a programas educacionais por meio da Ferrari Foundation, enquanto o carro representa o primeiro passo da fabricante em sua trajetória de veículos totalmente elétricos.

Ao mesmo tempo, o sucesso comercial inicial do modelo mostra que as críticas recebidas durante sua apresentação não impediram a procura por parte dos clientes.

O verdadeiro significado do Luce, porém, dependerá do tempo. Hoje, o Chassis 0 é o primeiro Ferrari elétrico de produção e uma peça única vendida por uma quantia excepcional. No futuro, poderá ser lembrado principalmente como o veículo que marcou uma das maiores mudanças tecnológicas da história da fabricante italiana.

Por enquanto, uma coisa já está definida: antes mesmo de chegar às mãos de seu proprietário, o primeiro Ferrari elétrico já entrou para a história da marca com um leilão de US$ 40 milhões.

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